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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Imobiliário

Classe média: nicho de oportunidades

Apostar em novos segmentos de mercado e descentralizar as ofertas habitacionais, alargando as opções até às províncias são as principais conclusões do estudo “Re-Search: 10 Factores de Competitividade do Sector Imobiliário Angolano”. A Angola’in teve acesso à pesquisa da agência de consultoria Deloitte e revela as principais premissas que podem influenciar a dinâmica do sector.

O estudo “Re-Search Angola” alerta os profissionais do sector imobiliário para o renascer de um novo grupo de potenciais investidores. As conclusões alertam para a necessidade e urgência de se apostar em novos segmentos e para o afastamento da produção exclusiva para as classes altas. O mesmo documento adianta que o país assiste ao emergir de uma classe média pró-activa, com poder de compra e interesse crescente em adquirir casa própria.

A pesquisa encomendada pela ESCOM Imobiliária e pela Mota-Engil Real Estate traz uma nova visão do mercado, revelando a dinâmica e as tendências deste sector face à evolução constante. Para corresponder às novas carências e às necessidades do momento de reconstrução nacional, a Deloitte (responsável pelo estudo) conclui que a competitividade e evolução da indústria imobiliária estão intrinsecamente dependentes de dez factores: burocracia, concorrência, custos de construção, custos/ riscos financeiros, demografia, direitos de propriedade, produto, segmentação, terrenos e localização e ‘preço a pagar’.

A Angola’in divulga, em exclusivo, os factores e as tendências que podem auxiliar as empresas de construção no desenvolvimento de estratégias de negócio. Estas devem estar conscientes de que existem diversos segmentos com diferentes necessidades, o que implica uma diversificação das ofertas.

O “Re-Search Angola” enumera outras questões pertinentes que têm ditado o rumo do sector. A análise dos resultados dos inquéritos leva os investigadores a concluírem que o ramo imobiliário angolano revela pouca maturidade, situação frequente nos mercados emergentes, uma vez que ainda não existem produtos de financiamento imobiliário estruturados por causa da ineficácia de registos prediais. Esta situação é o principal motivo da inibição do desenvolvimento do crédito à habitação. De facto, a generalidade da população ainda não dispõe das garantias reais suficientes para aceder ao crédito. Porém, o emergir da classe média permite que uma parcela crescente de angolanos reúna as condições necessárias para adquirir casa e para revolucionar o mercado.

A nova geração

São jovens e trabalham na função pública, em multinacionais, em instituições bancárias e em serviços que lhe permitem auferir um rendimento crescente e aceder a meios que até aqui eram exclusivos das elites. A classe média assume importância primordial neste estudo e, de acordo com a Deloitte, deve ser considerada como uma alternativa viável. A oferta é ainda muito reduzida face à crescente procura. Portanto, uma das principais advertências da pesquisa diz respeito a esta matéria, apontado a necessidade de considerar outros segmentos e de deixar de se focar unicamente a produção nos segmentos upper upscale, concentrados em Luanda.

A nova classe trabalhadora tem um nível de educação superior, tem poder de compra e procura habitação própria (fruto do aumento da taxa de emprego e da estabilização laboral). O crescimento económico, nomeadamente o proliferar da actividade empresarial, tem sido decisivo no combate ao absentismo e na geração de riqueza.

Este novo mercado tem uma particularidade interessante e que tem motivado a dinamização do sector. A classe média comporta uma alteração da estrutura demográfica, pois assiste-se a uma redução do número médio de elementos por agregado familiar. Esta situação conduz à procura de mais casas por parte de cada família e é determinante na escolha da tipologia do edifício, especialmente no que toca aos jovens casais que optam por espaços mais pequenos. Assim, regista-se um aumento da procura de tipologias entre o T1 e o T3.

Os custos

O interesse por casas mais pequenas conjugado com os elevados preços praticados nas zonas nobres são razões fortes para levar os agentes imobiliários a orientar os seus produtos para um leque alargado de potenciais clientes. Aliás, a questão financeira é um dos motivos para apostar em novos segmentos. O facto dos terrenos disponíveis em localidades como Ingombotas, Maianga (Luanda) ou Restinga (Lobito) serem escassos conduz à inflação dos preços e é o principal indicador de que os construtores devem apostar noutras áreas de Luanda e, sobretudo, nas províncias mais dinâmicas. Orientar as ofertas para zonas menos premium permite chegar a segmentos com poder de compra inferior, o que reduzirá o preço de comercialização. Por outro lado, a Deloitte constatou que há um crescente número de expatriados que tendem a procurar espaços temporários, o que revela que existe um mercado de arrendamento ainda por explorar e que é bastante atractivo para a diversificação e crescimento do sector. A este grupo junta-se as empresas que procuram habitações em segunda mão para alugar e que têm dificuldade em encontrar áreas com as condições mínimas de habitabilidade. O esquecimento deste nicho tem provocado prejuízos nos agentes imobiliários, que se vêem obrigados a baixar as rendas.

O estudo refere ainda uma componente crucial, responsável pelo investimento total e que constitui um dos principais handicaps da competitividade do imobiliário. A construção é a área base desta indústria e a que reúne maiores preocupações. A insuficiente capacidade produtiva de matérias-primas é o principal entrave que, associado aos constrangimentos de transporte, contribui para o aumento dos custos dos empreendimentos.

Os autores do estudo, apontam ainda a falta de legislação sobre a propriedade horizontal como condicionante do alargamento do sector imobiliário, que enfrenta barreiras como a excessiva carga burocrática, os custos de compra dos terrenos, a dificuldade na aprovação dos projectos e no desbloquear das licenças.

As conclusões do “Re-Search Angola” deixam algumas dicas importantes. Uma das fórmulas mais viáveis para orientar as estratégias de negócio consiste em desenvolver projectos que contemplem melhorias nos espaços públicos, acção bastante valorizada pelas autoridades nacionais e municipais.

‘Value for Money’ será certamente outro conceito a reter. É evidente que a maioria dos players deste mercado desconhecem o rumo e o modo como será a evolução do sector, o que tem conduzido à criação de produtos que consistem num mix de valências (residencial, comercial e escritórios), em parte devido à escassez da oferta. Tendo em conta que os clientes estão cada vez mais informados acerca do funcionamento da actividade, o caminho do imobiliário passa certamente pela comercialização de produtos baseados no conceito ‘Value for Money’.


CPLP






Novo capítulo

Em Julho, Angola assume a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Durante a II AP-CPLP, Paulo Kassoma, presidente da Assembleia Nacional (AN), fez antever no seu discurso os desafios e as medidas que o país poderá propor enquanto líder da comunidade. Nesta edição, a Angola’in analisa a importância da organização para o desenvolvimento regional de cada Estado membro.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste compõem a CPLP, criada em 1996, com a finalidade de desenvolver protocolos de cooperação no âmbito da cultura, educação e preservação da língua portuguesa. Após um mês intenso em matéria de encontros entre os chefes de Estado, a Angola’in faz o balanço das actividades e dá a conhecer o tema que proposto por Angola para a sua presidência: “Solidariedade na Diversidade”.

Fortalecer parcerias

A poucos meses da cimeira de Angola, Paulo Kassoma defendeu o reforço da cooperação efectiva entre os países da CPLP, alegando que a materialização deste objectivo passa pela “circulação crescente e recíproca” de pessoas e bens dentro do espaço territorial da entidade. Durante a II reunião da Assembleia Parlamentar (AP-CPLP), o responsável angolano reconheceu que o “fenómeno da imigração” tem contornos complexos. As trocas comerciais, a cooperação empresarial, a formação académica, a assistência médica qualificada e o turismo são exemplos de áreas que carecem de “soluções pragmáticas e equilibradas que satisfaçam as necessidades dos cidadãos e dos Estados”. Kassoma sugeriu o respeito mútuo pela soberania de cada nação e a identificação dos interesses e prioridades dos parceiros como elementos-chave para um relacionamento vantajoso.

Após um encontro com o secretário-executivo, no âmbito da preparação para a VIII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, Kassoma reiterou que há uma “enorme expectativa”, pelo que espera “contar com a liderança das instituições angolanas no desenvolvimento dos programas e da agenda da CPLP”. Já Simões Pereira mostrou-se satisfeito com a escolha do tema “Solidariedade na Diversidade” para a próxima presidência, considerando que o mote está “nos princípios basilares da organização”, especialmente num momento em que será abordada a possível integração da Guiné-Equatorial.



O responsável defendeu que o Conselho Empresarial da CPLP deve continuar a desempenhar um papel de destaque no auxílio ao empresariado público e privado, responsável pela consolidação do apoio entre as nações. Por outro lado, sugeriu que se dê uma “atenção especial” às entidades da sociedade civil. “Quando se fala em cooperação ou reforço de cooperação entre Estados-membros de uma organização, há que se ter em conta os elementos aglutinadores dessa comunidade e os níveis de desenvolvimento entre si, para que se possa elaborar uma estratégia que atenda as reais necessidades das populações”, sustentou, admitindo que o objectivo poderá ser atingido com a nova Estratégia Geral de Cooperação.

A integração de cada membro em organizações regionais, como as Nações Unidas, cria oportunidades de colaboração em múltiplos sectores. 2010 é decisivo com a entrada em vigor de novos acordos intra-regionais. Impõem-se outros desafios à CPLP, enquanto comunidade. Ao assumir a presidência, Angola tem a possibilidade de mostrar o que vale enquanto nação emergente. Na última assembleia, Raimundo Pereira, presidente do parlamento da Guiné-Bissau, sugeriu que a AP-CPLP fosse dotada de estruturas que se dediquem à análise e estudo dos domínios de acção. Com os actuais poderes, o organismo pode executar todos os acordos entretanto celebrados a nível dos Estados membros, definindo a livre circulação dos seus cidadãos, implementando o acordo ortográfico e incrementando a língua portuguesa no espaço comunitário. Na VIII Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo, agendada para Julho, na capital angolana, será discutido um ponto que poderá alterar por completo a génese da CPLP. O alargamento da comunidade a outros Estados será tema de destaque da próxima reunião, devido ao elevado número de pedidos de adesão. Os responsáveis defendem que esse interesse está relacionado com o espaço que a organização vai conquistando ao nível das relações internacionais, visto que tem trabalhado para transformar as actuais sinergias em cooperação mutuamente vantajosa para os membros e organizações estrangeiros. “Obviamente queremos que a nossa organização continue a ser um espaço para a promoção e difusão da língua portuguesa, mas transcendendo efectivamente esse aspecto”, sustentou Assunção dos Anjos, durante o último encontro com Simões Pereira.

Dinamizar economia

O arranque da Confederação Empresarial é aguardado com expectativa, pois é considerado “peça-chave” na inter-relação entre as diferentes economias. Os novos órgãos sociais tomam posse na segunda quinzena de Julho, coincidindo com a passagem de testemunho do Chefe de Estado Português para o homólogo angolano. Murteira Nabo, impulsionador da iniciativa, defendeu, em entrevista à agência portuguesa de notícias Lusa, que o organismo assumirá uma importância estratégica para a “promoção de negócios, para a relação e uma inter-relação muito mais forte entre as economias destes países”. O presidente da Galp refere que a língua, o “factor de união” e a cultura devem ser valorizadas pelos Governos, enquanto estratégia de desenvolvimento económico conjunto da lusofonia.

O ministro das Finanças português, Teixeira dos Santos, incentiva a cooperação no novo sistema mundial. “Os países da CPLP devem, como membros da comunidade global, participar activamente nesse processo, contribuindo para a implementação de políticas anti-cíclicas e de reformas estruturais para fortalecer a economia real, os mercados financeiros e as instituições financeiras internacionais”, defendeu durante a I Reunião de Ministros das Finanças. Na ocasião, disse que cabe à comunidade dar um “contributo para a definição da arquitectura financeira internacional utilizando a voz dos mais de 250 milhões de pessoas que têm o português como língua mãe, para que essas soluções sejam ouvidas e implementadas”. O líder apelou para a união, “nomeadamente ao nível da reforma do sistema financeiro institucional, nunca esquecendo o papel dos países em vias de desenvolvimento”, sustentando que a actual crise surge como uma “oportunidade” para a CPLP assumir “um papel mais positivo a nível regional”.


Mais e melhor circulação

A agilização na circulação entre os cidadãos dos Estados membros da CPLP e o exercício dos seus direitos são as principais aspirações das populações. As organizações da sociedade civil têm dado voz a estas intenções. A questão está incluída nas preocupações políticas, tendo sido debatida na II Assembleia Parlamentar. Aristides Lima, representante de Cabo Verde, defendeu que o projecto deve ser aplicado paulatinamente, devendo privilegiar na primeira fase as categorias sociais e profissionais que têm maiores necessidades de deslocação. Alguns parâmetros do Estatuto do Cidadão Lusófono são aplicados parcialmente pelos países. O Projecto de Convenção Quadro está a ser discutido no seio da organização e os direitos standards mínimos respeitam os compromissos anteriormente assumidos pela CPLP no quadro das Nações Unidas e da ratificação do Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais. O projecto quer consagrar o princípio de igualdade de tratamento de todos os cidadãos de outros Estados membros em relação aos nacionais. O acordo mereceu ainda a consideração do secretário-geral da Câmara dos Deputados do Brasil, Rafael Guerra, que garantiu que o seu país reúne as condições para a implementação da livre circulação dos cidadãos lusófonos e que não pode “simplesmente ser implementado com a ideia de gerar emprego, migrações, sem avanço da cidadania”. Jaime Gama, presidente do Conselho de Ministros da CPLP, argumenta que “a institucionalização da livre circulação deve ser um objectivo dado com passos seguros”.

Os líderes admitem em uníssono que existe vontade política em viabilizar o acordo de livre circulação na íntegra. Contudo, continuam a ter dificuldades em avançar com o projecto devido à necessidade de se adoptar legislação interna para a posterior assinatura dos acordos internacionais. Recorde-se que esta discussão se prolonga há dez anos.



Língua mater

É considerada a base de uma cooperação eficaz. Se todos os lusófonos usarem o português no dia-a-dia e nas reuniões da CPLP, as trocas de informação e as relações económicas e comerciais serão facilitadas. Uma das principais funções da organização reside na promoção, divulgação e estudo da língua portuguesa. O novo Acordo Ortográfico tem gerado alguma controvérsia. Este pretende aproximar os PALOP, uniformizando a escrita e a linguagem dos membros da CPLP. A directora do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, a angolana Amélia Mingas, criticou o organismo por não ter definido ainda uma política comum em relação à linguística. “A responsabilidade pela afirmação futura do português ou da sua crise resultará do empenho das formulações políticas dos Estados membros”, defendeu durante a II AP-CPLP.

Em Março, Brasília (Brasil) foi palco da Conferência Internacional sobre os destinos da língua portuguesa no Sistema Internacional da CPLP. No evento, foram discutidos temas ligados ao futuro do idioma, nomeadamente a sua utilização em foros multilaterais, o grau de importância na diáspora e a difusão nos meios de comunicação. No final do encontro, Osvaldo Varela, director para a Europa do Ministério das Relações Exteriores, lembrou que a questão deve ser encarada em duas vertentes distintas: a intra-comunitária e a extra-comunitária. Sugeriu ainda o lançamento de uma edição de dicionários de literatura dos países da CPLP. Tal foi defendido em Banguecoque (Tailândia), em que os deputados das oito nações propuseram a inclusão do português como língua de trabalho da União Inter-Parlamentar (UIP), juntando-se ao árabe, espanhol, inglês e francês. A decisão será divulgada no próximo encontro de concertação.

Apoio da UE

A CPLP possui protocolos de cooperação com diversas organizações internacionais e da sociedade civil no âmbito das principais áreas de intervenção: agricultura e segurança alimentar, ciência e tecnologia, desporto, educação e recursos humanos, juventude, meio ambiente e energias renováveis, migrações, saúde, telecomunicações e governo electrónico, trabalho e solidariedade social. Assim, a comunidade aderiu à declaração dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Tanto Luís Amado, como Paulo Kassoma defendem que a organização deve abrir-se a outros organismos regionais e internacionais, nos quais cada país está inserido. O responsável português alega que a CPLP é “uma comunidade de dimensão universal, com vocação global num tempo da globalização”, lembrando que “10 anos é muito pouco para desenvolver o espírito comunitário alargado a todos os países”.

A importância da CPLP foi reconhecida pela União Europeia em 2007 e a partir daí tem surgido como parceiro na criação de sinergias em matérias de política externa e desenvolvimento através de um Memorando de Entendimento, rubricado entre ambas as partes. O documento marca a cooperação no combate à pobreza, o fomento da democracia e dos direitos humanos, a promoção da diversidade cultural e o desenvolvimento económico e social. É o caso do acordo assinado no início do ano com a ONU, no âmbito do combate da SIDA.

Visão interna

Os países membros procuram promover os objectivos de integração dos territórios lusófonos. Na Guiné-Bissau ajudaram a controlar os golpes de Estado e a implementar uma reforma política. Em S. Tomé e Príncipe propuseram a reestruturação económica.

Para os sociólogos, a CPLP está longe de cumprir o propósito que esteve na base da sua criação. Nenhuma das nações está na lista dos 20 países mais humanamente desenvolvidos e, de acordo com o sociólogo luso Boaventura de Sousa Santos, “está demasiadamente focada em dois países”: Portugal e Brasil. José Sócrates, primeiro-ministro português, destacou no último encontro que a projecção internacional e externa da lusofonia tem saído “reforçada”, pois soube “concertar melhor as suas posições em organizações internacionais: aproximou-se a organizações geográficas ou tematicamente afiliadas ao espaço da CPLP”. “A concertação política e diplomática é sem dúvida um dos êxitos que muito tem contribuído para a afirmação dos países de expressão portuguesa”, admitiu.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Economia

ONU investe 4 milhões de dólares para combate à mal-nutrição


As Nações Unidas investiram quatro milhões de dólares para a execução do programa de combate à mal-nutrição do país, no âmbito do “Programa Conjunto Crianças, Segurança Alimentar e Nutrição em Angola”, visando aliviar a fome e a subnutrição das crianças. O programa foi apresentado hoje, na cidade do Kuito, província do Bié, pelo ministro da Saúde, José Van-Dúnem.

O programa é apoiado pelas agências das Nações Unidas, através do Fundo para os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Devido à situação de pobreza que afecta a maioria da população angolana, 12 milhões, dos cerca de 19,7 milhões de habitantes que constituem a população angolana encontram-se vulneráveis a crises alimentares, sendo que 75 por cento destas pessoas são crianças e mulheres em idade reprodutiva.

Durante a apresentação do “Programa Conjunto Crianças, Segurança Alimentar e Nutrição em Angola”, a representante adjunta do UNICEF, Amélia Russo de Sá, disse que “ao apoiar esta iniciativa, as Nações Unidas pretendem contribuir na erradicação da fome e na redução da mortalidade infantil”. “Vamos contribuir para aliviar a fome das populações angolanas e prevenir a mal-nutrição nas crianças”, fez saber Amélia Russo de Sá.

Cerca de 8,2 por cento das crianças angolanas de 6 a 59 meses apresentam uma mal-nutrição aguda e 29,2 por cento, acrescentou a responsável, apresentam uma má nutrição crónica, causada pela inadequada dieta alimentar, doenças infecciosas ou a combinação das duas causas.

Para combater este fenómeno, o “Programa Conjunto Crianças, Segurança Alimentar e Nutrição em Angola” vai reforçar os serviços de apoio a sobrevivência da criança nas comunidades, criando condições para o acesso mínimo a serviços de saúde e nutrição.

Por outro lado, o programa vai oferecer assistência específica para o fortalecimento da segurança alimentar dos agregados familiares: criar Escolas de Campo para capacitar os camponeses, ensinando-os as técnicas agrícolas convencionais, com vista a diversificar a produção; promover a utilização de produtos locais na merenda escolar e a educação nutricional com ênfase na transformação de produtos locais. Este sistema vai cobrir, numa primeira fase, três municípios em igual número de províncias, respectivamente Cunene, Moxico e Bié, para a posterior, alargar a outras localidades.

As referidas províncias estão entre as mais críticas do país, sendo que o Cunene foi atingido em 2007 por secas e em 2008 e 2009 por cheias. O Moxico apresenta um estado nutricional crítico dos menores de cinco anos (8,4 por cento de acordo com o Inquérito Nutricional), enquanto a província do Bié mostra números de insegurança alimentar moderada e grave que vão de 87 por cento a 94 por cento do total da população.

Com a execução do “Programa Conjunto Crianças, Segurança Alimentar e Nutrição em Angola”, se vai intensificar, nas três províncias, a identificação e tratamento activo da mal nutrição patente, para alcançarem pelo menos, 12 mil crianças gravemente mal nutridas e prestar-se o apoio essencial ao aumento de acesso ao pacote essencial de serviços de sobrevivência da criança.


Criança

Protecção da criança potencia desenvolvimento

"O desenvolvimento do país passa necessariamente pela protecção e assistência integral às crianças, que são o futuro de amanhã", disse hoje o secretário do governo provincial do Zaire, Cudimuena Cabeia, em Mbanza Kongo.

O responsável teceu estas considerações no acto do lançamento da primeira fase da campanha de vacinação contra a poliomielite, em representação do governador do Zaire, Pedro Sebastião. "O Governo está a trabalhar no sentido de desenvolver o país. E o país só se desenvolve com Homens. E, para haver Homens tem que haver crianças, por isso, nós estamos a cuidar delas hoje para serem homens amanhã", sublinhou em afirmações à Angop.

Esta protecção de menores, acrescentou Cudimuena Cabeia, passa também pelas campanhas de vacinação contra a paralisia infantil que o Governo nacional está a desenvolver para um crescimento são e saudável da criança.

O secretário do executivo provincial apelou aos pais e encarregados de educação a colaborarem com as equipas de vacinadores para o êxito da campanha. Nesta jornada de vacinação contra a pólio, a decorrer de 11 a 13 do corrente mês, o Programa Alargado de Vacinação (PAV) do Zaire prevê imunizar 56.231 crianças dos zero aos cinco anos de idade.

Foram mobilizados 299 vacinadores, constituídos por 148 equipas móveis que vão, de porta a porta, administrar as duas gotas milagrosas à população alvo.



Infra-estruturas

Requalificação da rede de água de Caxito e Catete


O governo do Bengo e o departamento Nacional das Águas rubricaram hoje, em Caxito, o contrato de consignação das obras complementares do projecto de reforço do sistema de captação e tratamento de água das cidades de Caxito, Icolo e Bengo e Uíge, orçado em seis milhões e 500 mil dólares.
O documento foi assinado peloo vice-governador do Bengo para a área técnica, Farel Van-Dúnem, e pelo chefe do departamento Nacional das Águas, António Quaresma.
De acordo com o chefe do departamento nacional das águas, António Quaresma, em declarações à Angop, o projecto vai beneficiar a cidade de Caxito com cerca de dois milhões de dólares, Catete com 1.300 mil dólares, enquanto que três milhões de dólares serão para a cidade do Uíge.
O responsável adiantou que a obra terá a duração de quatro meses e será levado a cabo pela empresa chinesa CEIEC (China National Electonics Import and Export Corporation) e fiscalizada pelo consórcio de empresas angolanas “Construtora Projecto” e a portuguesa “AMBIO”.
Explicou que este equipamento prevê a harmonização das ferramentas de planeamento e formação dos quadros locais, bem como a melhoraria do sistema de distribuição do fornecimento de água, contemplando ainda a requalificação da rede na localidade do Bom Jesus.
Na primeira fase, o Governo vai dar prioridade às cidades onde há maior fluxo populacional, sem descurar as zonas rurais que estão a beneficiar de um tratamento especial do programa “Água para Todos”, com o apoio das administrações municipais e comunais locais.
Sublinhou, que existe um novo projecto de requalificação da rede de água de Caxito, porque o actual sistema encontra-se degradado e não é visível, bem como a sua fonte de extracção não favorece, devido às más condições do saneamento básico do local.
a procura de água nas comunidades rurais e suburbanas.

Comunicação


Luanda e Lisboa estudam nova cooperação no âmbito dos Media

Os ministros da Comunicação Social angolana, Carolina Cerqueira, e dos Assuntos Parlamentares português, Jorge Lacão, que tutela a comunicação social estatal, definiram hoje em Luanda as linhas mestras da cooperação entre os dois países para o sector.

O encontro decorreu no ministério da Comunicação Social, em Luanda, onde estiveram ainda o embaixador de Portugal, Francisco Ribeiro Telles, o Presidente da Lusa, Afonso Camões, e o administrador da RTP, Luís Marinho. No final, Jorge Lacão disse aos jornalistas que a conversa decorreu em torno de "questões relevantes para a vida das sociedades e para o aprofundamento da democracia".

"Vamos trabalhar no sentido de dar consistência às modalidades de cooperação técnica e, através dos dois governos, concretizar essas modalidades de cooperação que permitam que as nossas instituições de comunicação social na área do serviço público tenham um relacionamento que a todos beneficie", enunciou.

Foi feito um convite à ministra da Comunicação Social angolana, Carolina Cerqueira, para visitar Portugal, o que deverá acontecer ainda este ano. Por seu lado, a responsável especificou que o futuro da cooperação entre Lisboa e Luanda nesta área passa pela "modernização da comunicação social angolana e pela sua transformação num instrumento cada vez mais importante no reforço da paz e nos ditames do Estado Democrático e de Direito".

Formação de quadros, intercâmbio de programas e modernização do sector são alguns dos exemplos apontados por Carolina Cerqueira. Um dos objectivos desta cooperação passa por fazer com que Portugal "sirva de transmissor da realidade angolana, cooperando na divulgação, através de imagens e notícias, do que é o país hoje". Para isso, Carolina Cerqueira conta com um acordo que deverá ligar a Lusa e a agência de notícias angolana, Angop. "A Lusa está em muitos países, a Angop é uma agência que sobressai em África e em conjunto vamos conseguir reforçar e melhorar a imagem de Angola no exterior", admitiu. Também em declarações aos jornalistas após o encontro, o presidente do Conselho de Administração da Lusa, Afonso Camões, frisou que "há um enorme campo de cooperação pela frente" e lembrou que a Lusa é uma das poucas empresas que nunca deixou Angola, "mesmo nos tempos mais difíceis da guerra".



África do Sul

José Eduardo dos Santos na abertura do Mundial

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, encontra-se desde ontem, quinta-feira, na África do Sul para assistir à partida inicial do Mundial de Futebol 2010 a convite do seu homólogo Jacob Zuma. O jogo inaugural acabou há alguns minutos com um empate entre a equipa anfitriã e o México.

A par da abertura do mundial, José Eduardo dos Santos vai estar em dois encontros presidenciais tripartidos, com Jacob Zuma e com o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, e noutro com Zuma e Dennis Sassou Nguesso, Chefe de Estado do Congo-Brazzaville.

Jacob Zuma esteve pela última vez em Angola quando da abertura do Campeonato Africano das Nações (CAN 2010), em Janeiro.